Fibromialgia - "Síndroma crónica caracterizada
por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos
dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. Outras manifestações que
acompanham também as dores são a fadiga, as perturbações do sono e os
distúrbios emocionais."
A minha mãe padece de fibromialgia. Foi diagnosticada há dois anos,
se bem que os sintomas há muito que se vinham a manifestar. E, desde então, é
uma luta diária contra a dor. A minha mãe tem dores 24 horas por dia. Já
aumentou a dosagem de medicação por duas vezes mas não ficará por aqui. Além da
dor física, é a pscicológica que mais lhe custa. A minha mãe sempre foi uma
mulher activa, sempre fez tudo e mais alguma coisa sem nunca se cansar e sem
nunca ficar doente. Ver-se, de repente, sem conseguir fazer as coisas como
antes, sem dor, com a força a cem por cento, foi complicado. É complicado. E
depois vem a parte da incompreensão. Muito poucos sabem e compreendem o que é
viver com fibromialgia. A maioria pensa que é exagero ou preguiça. Inclusivé a
classe médica. É verdade, houve um ‘senhor doutor médico’ que disse à minha mãe
estas palavras: ‘O que a senhora tem é mimo a mais’. E pronto, quando os
próprios profissionais agem desta forma, o que esperar dos comuns mortais, não
é?
Eu, que sou filha, que convivo com a minha mãe diariamente, não
consigo imaginar o que é viver com dor constante. A minha mãe costuma dizer que
é como se tivesse o corpo a ser pefurado com agulhas a toda a hora. Conseguem
imaginar?
Por isso, fica aqui o apelo à compreensão. É uma doença recente, é
verdade, mas não deve ser menosprezada e desvalorizada. Os doentes com
fibromialgia sofrem. Muito. Haja solidariedade. Haja bom senso. E que acabem de
vez os comentários maldosos e ignorantes que classificam esta doença como a
‘doença dos preguiçosos’.
Quanto a ti, mãe guerreira, sei que vais continuar a enfrentar
esta luta de cabeça erguida e sorriso no rosto, como sempre fizeste. És o meu
orgulho, és o meu exemplo.
