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domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher


Que deveria ser lembrado todos os dias. Que deveria ser comemorado todos os dias. As mulheres deveriam ser lembradas todos os dias. Respeitadas. Tratadas como iguais. Infelizmente, não é assim. E nem me vou alongar mais no assunto. Apenas felicito todas as mulheres. As mulheres da minha vida: a minha mãe, as minhas amigas queridas. E vocês todas que estão desse lado.

Agora falo de um outro assunto. Depois de tantos anos como blogger, vejo-me agora a braços com comentários anónimos carregados de ironia e de ameaças disfarçadas. Acho que tornar o blogue público foi um erro. Acho que mudar foi um erro. Sinceramente, se isto continuar terei de encerrar este espaço. Este. Porque ninguém me paga nem ninguém me dá paciência para aturar isto.




quarta-feira, 4 de março de 2015

O grande (des)amor da minha vida


O grande amor da minha vida foi, também, o grande desamor da minha vida. Foi o melhor e o pior. O que mais me deu e o que mais me tirou. O que mais me mudou.

O grande amor da minha vida nunca teve a noção de que o foi. Se soubesse, se tivesse essa certeza, não teria feito o que fez. Ou então teria feito, exactamente, tudo o que fez. O grande amor da minha vida era um princípe. Encantado. Só lhe faltava o cavalo branco. Mas isso não tinha importância. No entanto, o princípe, sem cavalo branco, sorriso de menino e coração mau, era, afinal, um sapo disfarçado. Bem disfarçado. Demasiadamente bem disfarçado.

O grande amor da minha vida não o soube ser. Não mereceu essa condição que eu lhe dei. O grande amor da minha vida fez do meu coração um tabuleiro e jogou com os meus sentimentos. De forma suja. Com muita batota à mistura. E, no final, ganhou. E levou tudo o que em mim havia. O amor, que era só dele. O sorriso, que era por ele. Os versos insanos que, tantas e tantas vezes, lhe escrevi.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, perdi a auto-estima. Senti vergonha de mim. Fui humilhada. Mal tratada.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, vi o meu coração transformado em pedaços. Pedaços pequenos, muito pequenos, difíceis de voltar a colar.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, perdi a vontade de sorrir, a vontade de acreditar, a vontade de viver até.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, fechei o meu coração. Por tempo indeterminado. E já lá vão alguns anos. E ele continua fechado. Com medo. Sim, com medo. Porque deu muito trabalho restaurá-lo. Porque foi um processo doloroso e demorado. E pensar sequer na possibilidade de ele voltar a quebrar provoca-me arrepios.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, quase desisti de mim. Quase. Mas, um dia, como que por magia, decidi reerguer-me. Decidi não mais ter pena de mim. Decidi e percebi que a pessoa mais importante da minha vida sou eu. E que ninguém, ninguém, nem o grande amor da minha vida, tem o direito de me anular.

Reergui-me. Lutei para voltar à superfície. Consegui. Com muito esforço, com muita determinação, com muita força de vontade. Consegui reinventar-me. Consegui recuperar a minha auto-estima. Consegui voltar a gostar de mim, mais do que antes, mais do que nunca. Consegui voltar a sorrir. Por isso, e apesar de tudo, agradeço-lhe. Porque se não fosse esse grande amor da minha vida, eu não seria a mulher forte que sou hoje. Se um dia voltarei a conseguir amar verdadeiramente outro grande amor? Não sei. Apenas sei que, o grande amor da minha vida já não o é.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coisas que vocês ainda não sabem sobre mim


Tenho um mau feitio desgraçado. Mau feitio mesmo. De manhã costuma ser pior.

Detesto que me acordem a chamar por mim ou a fazerem barulho. Mil vezes o despertador.

Faço coloração ruiva no cabelo. A minha cor natural está assim entre o loiro e o castanho. Mas eu prefiro ser ruiva.

Quando era miúda queria ser professora de história ou português. Tinha um quadro e tudo. Os meus bonecos eram os meus alunos, a quem eu ensinava, berrava e dava ponteiradas nas mãos. Ainda bem que desisti dessa ideia pois não teria jeitinho nenhum.

Ainda quando era miúda, era muito ciumenta. Muito ciumenta mesmo. Era filha única e, durante alguns anos fui neta única, super mimada pelos meus avós.

Sou enfermeira. Costumo dizer que não fui eu que escolhi a enfermagem mas sim ela que me escolheu a mim. Gosto do que faço.

Tenho uma tatuagem no pulso. Uma borboleta, que simboliza a liberdade e o voar mais alto. Quando olho para ela lembro-me de que não me posso nunca esquecer de voar.

Ando sempre com as unhas pintadas. Sempre. Mesmo no trabalho, de uma cor muito discreta, claro, mas tem de ter verniz. Se não as tiver pintadas sinto-me nua.

Sou um pouco (muito) obcecada com limpezas e organização. Detesto que mexam nas minhas coisas e que depois não as coloquem no devido lugar. Sim, porque tenho tudo organizado ao pormenor e sei perfeitamente se alguém vai lá mexer.

Uso sempre os mesmos dois perfumes há já alguns anos e não consigo gostar de mais nenhum.

Tenho uma frustração secreta e escondida pelo facto de não ter enveredado pela área das letras. Gostava de me ter licenciado em literatura. Ainda não perdi esse sonho.

Sou de extremos. Quando gosto, gosto mesmo a sério. Mas quando não gosto, não adianta.

Sou muito ponderada. Nem sempre fui assim, já fui impulsiva até dizer chega. Aprendi com os erros. Hoje penso muito bem antes de fazer ou decidir alguma coisa.

Sou péssima a decidir ou a escolher, talvez por ser tão ponderada.

(Continua...)


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Do medo


Todos temos os nossos medos. Todos. Medos diferentes, uns maiores do que outros, mas todos os temos. Eu tenho os meus medos, apesar de tentar transparecer uma imagem de força e de que está sempre tudo bem. Tenho medo da doença. Medo e um profundo respeito. Tenho medo de ficar doente, de perder as minhas capacidades físicas e mentais, a minha autonomia e ficar presa a uma cama, dependente dos outros. Tenho medo do sofrimento que doença provoca. Tenho medo de não conseguir enfrentar esse sofrimento. Não tenho medo da morte. Quando tiver que vir, a única coisa que peço é que seja rápida e indolor.

Tenho medo da perda. Tenho medo de perder quem mais amo. Tenho medo de perder quem mais amo sem lhes conseguir dizer precisamente isso, o quanto os amo e quanto são importantes e fulcrais na minha vida. Tenho medo de ser só. Não de estar só. De ser só, que é diferente. Tenho medo de chegar aos meus últimos dias e ter mais sonhos do que memórias, seria sinal de que deixei muito por cumprir.

Tirando isto, não tenho assim outros grandes medos. Não tenho medo das desilusões nem dos fracassos pois eles fazem parte da vida e, de uma forma ou de outra, conseguimos ultrapassá-los. Não tenho medo de não conseguir, sei que se não for à primeira há-se ser à segunda ou à terceira ou à quarta. Sei que a vida não são só vitórias, há ainda muitas derrotas à minha espera e, apesar de me fazerem sofrer, sei que também me farão crescer, como fizeram até agora.

Os meus medos, os verdadeiros, são os que referi acima e esses não posso controlar. Quanto aos outros, vou relativizando e ultrapassando, não deixando que eles condicionem o meu viver


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A pessoa mais importante da tua vida és tu


A pessoa mais importante da tua vida és tu. Pode parecer presunçoso ou egoísta mas é a verdade. Ou, pelo menos, assim deveria ser. Se não nos colocarmos em primeiro lugar, se não nos amarmos verdadeiramente, independentemente do que os outros pensam ou dizem, não conseguiremos ser felizes por inteiro. Enquanto não nos valorizarmos, enquanto não tomarmos as rédias do nosso querer, não conseguiremos ter paz.

A vida é que me tem ensinado isto. Durante muitos anos andei à deriva, sem saber bem qual o meu espaço, sem saber bem quem era. Muitas vezes me anulei perante os outros, porque não queria arrufos, porque pensava que a minha opinião iria magoar. No fim de tudo, quem saía sempre magoada era eu. Fui aprendendo com as quedas que dei, com o tanto que me fizeram sofrer, com as palavras maldosas e os gestos ingratos. Durante muito tempo dei tudo de mim, de forma desenfreada e exagerada. E fui ficando desgastada, dorida, cansada. Até ao dia em que percebi que eu tinha de me dar mais importância e mais valor. Percebi que tinha de tomar conta de mim, recuperar a minha auto-estima, dar a minha opinião, não me calar perante aquilo que achava injusto. Aprendi a gostar de mim como sou (com as minhas curvas generosas e o meu mau feitio matinal). Aprendi a olhar ao espelho todos os dias e dizer 'És linda! Adoro-te!'. Não, não é narcisismo, é amor-próprio. E, quando aprendemos a ter este amor pela nossa pessoa, amar os outros é tão mais fácil e tão melhor. Da mesma forma que amarem-nos se torna mais genuíno e espontâneo.

Claro que há dias menos bons. Sempre haverá. O segredo está em contorná-los, em não dar ouvidos a quem não importa, a não nos deixarmos subjugar. O segredo é continuarmos a acreditar na pessoa que vamos construindo, dia após dia, batalha após batalha. O segredo, o verdadeiro segredo, está em jamais desistirmos de nós.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Um questão de escolha


Quando escolhemos um caminho, há outro que, irremediavelmente, tem que ficar para trás, por percorrer. É mesmo assim. Não podemos ter o melhor de duas coisas. Não podemos ter o melhor de dois mundos. Talvez por isso nunca tenha gostado de escolher. Nunca. Desde criança, quando me perguntavam se preferia bolo de chocolate ou bolo de caramelo, se preferia a Barbie ou a Nancy, se escolhia entre a Bela Adormecida ou a Cinderela. Nos testes de avaliação e exames, nunca gostei das questões de escolha múltipla, sempre preferi as de resposta aberta, onde podia dar largas à imaginação (e tantas vezes ver a pontuação descontada por isso, porque escrevia demais, mas isso já são outros quinhentos). Mais tarde, quando me foi imposto escolher entre letras e ciências também não foi fácil. Se eu amava as duas por igual, porque tinha de escolher, perguntava-me eu. Agora, já adulta, continua a ser quase o mesmo. Não gosto de escolher. Não gosto de escolher entre duas coisas que gosto por igual.

Escolher não é fácil. Escolher dói. Exige maturidade. Exige desprendimento e desapego. Principalmente quando essa escolha pode condicionar toda a nossa vida. E se não for a escolha correcta? E se, quando chegarmos lá à frente, percebermos que não deveria ter sido assim? Será possível recuar? Será possível voltar atrás e escolher o outro lado? Não. Não é possível voltar a escolher por cima de uma escolha já feita e definida. Mas é sempre possível mudar o ritmo e as cores do caminho, tornando-o mais alegre e mais nosso. Temos de ter essa capacidade de discernimento para aceitar as consequências das nossas escolhas, sejam elas boas ou nem por isso.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A (triste) história de uma míope


Sou míope desde os 14 anos (o auge da estupidez e parvoíce). Quando o oftalmologista me disse ‘Catarina, terás de usar óculos para o resto da tua vida’ foi como se o meu mundo tivesse acabado nesse mesmo instante. Fui para casa e chorei durante três dias seguidos. Mentira, foi só durante meia hora. Mas o sofrimento foi o equivalente. Fiz birra, disse que não usava óculos nem que me amarrassem aos pés da cama. Mas lá acabei por ceder. Verdade seja dita, eu já não via um palminho à minha frente e entre isso ou usar óculos, achei que era melhor usar óculos.

Hoje em dia já não me custa nadinha. A primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo é ‘onde estão os meus óculos?’. E nem me atrevo a sair de casa sem eles. Uma vez cometi tal atrocidade e não reconheci o meu próprio pai que estava a maia dúzia de metros de mim a acenar. É triste mas é verdade. Por isso, não me separo dos meus óculos nunca e já não me custa assim tanto ser míope (quer dizer, custa só um bocadinho, principalmente quando vou à piscina, mas pronto). Digamos que me tornei numa ‘caixa de óculos’ assumida...e com estilo!