terça-feira, 10 de março de 2015

Lamento

É com tristeza, muita tristeza, que me vejo obrigada a encerrar, temporariamente (ou não) este blogue. Mas não tenho paciência para pessoas parvas que decidiram preencher os seus dias a fazerem-me perseguições. Pessoas que eu tenho quase a certeza quem são, o que é ainda mais triste. Quando decidi aparecer publicamente na blogosfera, assumindo a minha identidade para os conhecidos, sabia que corria este risco. Não sabia era que seria assim. E nesta fase da minha vida tudo aquilo que preciso é paz de espírito e tranquilidade.

Peço-vos desculpa. Peço-vos muita desculpa. Mas o Dear Kate fica por aqui. Quanto a mim, irei regressar à velha casa que vocês tão bem conhecem. Se quiserem regressar para lá comigo, ficarei muito feliz. Se optarem por não o fazer, compreendo perfeitamente pois não são obrigados a andar para trás e para a frente.

Obrigado a todos. Até já!


domingo, 8 de março de 2015

Dia Internacional da Mulher


Que deveria ser lembrado todos os dias. Que deveria ser comemorado todos os dias. As mulheres deveriam ser lembradas todos os dias. Respeitadas. Tratadas como iguais. Infelizmente, não é assim. E nem me vou alongar mais no assunto. Apenas felicito todas as mulheres. As mulheres da minha vida: a minha mãe, as minhas amigas queridas. E vocês todas que estão desse lado.

Agora falo de um outro assunto. Depois de tantos anos como blogger, vejo-me agora a braços com comentários anónimos carregados de ironia e de ameaças disfarçadas. Acho que tornar o blogue público foi um erro. Acho que mudar foi um erro. Sinceramente, se isto continuar terei de encerrar este espaço. Este. Porque ninguém me paga nem ninguém me dá paciência para aturar isto.




sexta-feira, 6 de março de 2015

'No amor só o coração bate' - Contra a Violência Doméstica


Este vídeo de sensibilização contra a violência doméstica, realizado pela plataforma Maria Capaz, é fortíssimo. Mas, mesmo assim, não deixem de ver nem de partilhar. Temos de dizer BASTA, de uma vez por todas, à violência doméstica.


quinta-feira, 5 de março de 2015

Inspirações


Era um espaço incomum. Um tempo incerto, sem horas nem esperas, apenas estar por estar. Ela tinha um coração magoado e incerto. Já nada esperava. Já pouco sentia. Naquele espaço que era só um espaço e naquele tempo demorado e inquieto. Ele chegou, como o sol que chega no meio da tempestade, como a Primavera que tarda mas vem. Ele chegou. E o espaço que era apenas um espaço deixou de ser espaço para se colorir de encarnado e lilás, amarelo e verde esperança. E o tempo deixou de ser tempo, rendeu-se aos olhares que se cruzaram, às mãos que se tocaram como se não fosse a primeira vez. E ela rendeu-se à melodia. E ele ensinou-a a dançar ao som do bater descompassado do coração. E ela reaprendeu a sorrir. E ele continuou a sorrir, perdurando o momento além do tempo, que deixou de ser tempo e do espaço que deixou de ser espaço. E ela acreditou. Acreditou na verdade. Acreditou no sentir que ele sentia. E ele acreditou. Acreditou que acreditava que assim deveria ser. E o tempo, que não era tempo, passou, descansado e preguiçoso, como as manhãs de Domingo, as mesma que foram partilhadas até à exaustão. E o amor, que não era ainda amor, aconteceu. Como por magia, como ilusão. E ela deixou-se levar. E ele teimou levá-la, em viagens pelos céus, por entre as nuvens de algodão, até ao lugar onde dormem as estrelas e se pode ver o mundo ao contrário. Mas (sempre o mas, sempre o maldito mas) o rapaz dos olhos bonitos e das melodias doces mostrou apenas meia verdade. E ela apenas queria uma verdade inteira, por inteiro. E ele rasgou-lhe a esperança. E ela sentiu o coração quebrar como gelo. Quebrar e cair por terra, à velocidade das palavras que doeram, que doeram demais, de uma dor que não se escreve, apenas se sente. E ele prostrou-se por terra. E ela chorou e partiu o caminho em dois. E então o espaço, o mesmo que deixara de ser espaço, voltou a sê-lo, cinzento e cor de chuva, frio e solitário. E ela ali ficou, a lamber as feridas. E ele continuou, na incerteza da certeza, sem saber se ir, se ficar. E o tempo voltou a ser tempo, voltou a impor os dias que passam e o amor que não passa. E eles seguiram, por caminhos paralelos. Será que, lá à frente, quando o espaço deixar de ser espaço e o tempo deixar de ser tempo, se voltarão a encontrar?


quarta-feira, 4 de março de 2015

O grande (des)amor da minha vida


O grande amor da minha vida foi, também, o grande desamor da minha vida. Foi o melhor e o pior. O que mais me deu e o que mais me tirou. O que mais me mudou.

O grande amor da minha vida nunca teve a noção de que o foi. Se soubesse, se tivesse essa certeza, não teria feito o que fez. Ou então teria feito, exactamente, tudo o que fez. O grande amor da minha vida era um princípe. Encantado. Só lhe faltava o cavalo branco. Mas isso não tinha importância. No entanto, o princípe, sem cavalo branco, sorriso de menino e coração mau, era, afinal, um sapo disfarçado. Bem disfarçado. Demasiadamente bem disfarçado.

O grande amor da minha vida não o soube ser. Não mereceu essa condição que eu lhe dei. O grande amor da minha vida fez do meu coração um tabuleiro e jogou com os meus sentimentos. De forma suja. Com muita batota à mistura. E, no final, ganhou. E levou tudo o que em mim havia. O amor, que era só dele. O sorriso, que era por ele. Os versos insanos que, tantas e tantas vezes, lhe escrevi.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, perdi a auto-estima. Senti vergonha de mim. Fui humilhada. Mal tratada.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, vi o meu coração transformado em pedaços. Pedaços pequenos, muito pequenos, difíceis de voltar a colar.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, perdi a vontade de sorrir, a vontade de acreditar, a vontade de viver até.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, fechei o meu coração. Por tempo indeterminado. E já lá vão alguns anos. E ele continua fechado. Com medo. Sim, com medo. Porque deu muito trabalho restaurá-lo. Porque foi um processo doloroso e demorado. E pensar sequer na possibilidade de ele voltar a quebrar provoca-me arrepios.

Graças a ele, ao grande amor da minha vida, quase desisti de mim. Quase. Mas, um dia, como que por magia, decidi reerguer-me. Decidi não mais ter pena de mim. Decidi e percebi que a pessoa mais importante da minha vida sou eu. E que ninguém, ninguém, nem o grande amor da minha vida, tem o direito de me anular.

Reergui-me. Lutei para voltar à superfície. Consegui. Com muito esforço, com muita determinação, com muita força de vontade. Consegui reinventar-me. Consegui recuperar a minha auto-estima. Consegui voltar a gostar de mim, mais do que antes, mais do que nunca. Consegui voltar a sorrir. Por isso, e apesar de tudo, agradeço-lhe. Porque se não fosse esse grande amor da minha vida, eu não seria a mulher forte que sou hoje. Se um dia voltarei a conseguir amar verdadeiramente outro grande amor? Não sei. Apenas sei que, o grande amor da minha vida já não o é.


terça-feira, 3 de março de 2015

Ditadura Feminina


Vivemos num país livre e democrático. No entanto, continuamos a viver sob as mais variadas formas de ditadura. Uma delas, que me toca particularmente, é a ditadura feminina. Sim, ditadura feminina.

Quantas de nós já não foram criticadas pelos quilinhos a mais ou a menos, pelas olheiras mal disfarçadas ou pela roupa que, dizem, não deviam vestir? Muitas, acredito. Eu própria já passei por isso. Porque tenho um rabo acima da média, dizem, e umas pernas mais generosas, dizem também. Ou porque me visto como uma retro-hippie quando me dá na realgana. Ou porque tenho o cabelo cor-de-laranja (é ruivo, mas há muita gente daltónica por aí). Ou porque fiz uma tatuagem.  Ou, pior, dizem, porque sou enfermeira e fiz uma tatuagem. Querem ver que vai cair o carmo e a trindade por causa disso?

Todos os dias, muitas e muitas mulheres, são vítimas dessa ditadura disfarçada de ‘preocupação’. ‘Ai filha, estás mais gordinha, olha lá o colesterol’ quando, no fundo, querem mesmo é dizer ‘Estás uma valente lontra e eu sou muito melhor do que tu’. E o contrário também acontece: ‘Ai querida, estás tão magrinha, deves estar com anemia’ quando querem é insinuar ‘Mais pareces um pau de virar tripas' (como se diz cá no Norte). E, aliado a isso, vem o desdenhar. De tudo. Da roupa, do cabelo, da maquilhagem ou da falta dela, enfim. O pior de tudo isto é que este ataques gratuitos partem de outras mulheres. Incompreensível. Inaceitável. Ao invés de nos unirmos e lutarmos juntas por uma mesma causa, pela igualdade que ainda não há, pela força que temos e devemos demonstrar, não. Perdemos tempo na mesquinhez do ‘deita-abaixo’. E se há mulheres a quem tudo isto passa ao lado (ou que aprenderam a deixar tudo isto passar ao lado, como eu) há também aquelas que ainda se deixam abater por este tipo de comentários. E isso é grave, pode destruir a auto-estima e conduzir a caminhos nem sempre promissores.

O mais importante é que cada mulher se sinta bem como é, sem pressões nem imposições. Devemos fazer aquilo que queremos, que nos faz bem, não aquilo que os outros nos querem impor.

Tudo isto para dizer basta. Basta desta ditadura da perfeição. Basta de andarem de lupa na mão á procura do que não está tão bem. Basta de apontar o dedo. Uma mulher não se define pela número das suas calças nem pelo tamanho do seu rabo. Define-se sim pela sua atitude e pelo brilho que emana. Pela parte que me toca, só tenho uma coisa a dizer: ‘Tenho um rabo grande e então?’


Quero! #2


Natura

E estas meninas lindas bem que podiam vir morar cá para casa. Gosto tanto. E vocês?


segunda-feira, 2 de março de 2015

Estados de alma


Há lutas que temos que travar. A luta interior é uma delas. Talvez a mais difícil. Talvez a que mais se impõe. Não é fácil lutar contra aquilo que temos cá dentro, contra nós mesmos. É doloroso. Desgastante. Asfixiante. Deixa marcas, profundas, por vezes. Magoa. Faz chorar. Faz querer desistir a meio. Assusta. Conhecer e lidar com os fantasmas que temos na alma (e todos os temos) pode ser profundamente assustador e perturbador. Mas esta luta é essencial. Mais cedo ou mais tarde temos que a enfrentar. Mais cedo ou mais tarde temos de nos definir. Lutar contra o passado. Lutar contra as consequências das más decisões. Lutar contra as cicatrizes que as mágoas deixaram. Enfrentar e tentar perceber o porquê de tanta coisa. Descobrir o que nos moveu, o que nos trouxe até aqui, o que nos tornou na pessoa que somos hoje. É um processo moroso também. E solitário. Ninguém pode substituir-nos nesta demanda. Só há lugar para nós e para aquilo que somos. Há quem também lhe chame busca espiritual. Não é, de todo, errado. Há já algum tempo que tenho vindo a travar essa luta. Há dias em que venço. Há dias em que não. Não sei quando terá fim. Mas isso não é o mais importante. O mais importante é aquilo que poderá daí advir. A paz e a plenitude que tanto quero alcançar. Já estive mais longe.


domingo, 1 de março de 2015

Em modo 'replay' #2

Scissor Sisters - I don't feel like dancin'

Esta é mesmo para dar um pezinho de dança, mesmo para quem não tem jeitinho nenhum para dançar (como é o meu caso)!

Esteve um Domingo chuvoso, chato, aborrecido. Estou particularmente reflexiva desde ontem à noite. Não gosto. Por isso, vou dançar. E esquecer os pensamentos. E largar, por momentos, os fantasmas que (ainda) me consomem a alma.


sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Coisas que vocês ainda não sabem sobre mim


Tenho um mau feitio desgraçado. Mau feitio mesmo. De manhã costuma ser pior.

Detesto que me acordem a chamar por mim ou a fazerem barulho. Mil vezes o despertador.

Faço coloração ruiva no cabelo. A minha cor natural está assim entre o loiro e o castanho. Mas eu prefiro ser ruiva.

Quando era miúda queria ser professora de história ou português. Tinha um quadro e tudo. Os meus bonecos eram os meus alunos, a quem eu ensinava, berrava e dava ponteiradas nas mãos. Ainda bem que desisti dessa ideia pois não teria jeitinho nenhum.

Ainda quando era miúda, era muito ciumenta. Muito ciumenta mesmo. Era filha única e, durante alguns anos fui neta única, super mimada pelos meus avós.

Sou enfermeira. Costumo dizer que não fui eu que escolhi a enfermagem mas sim ela que me escolheu a mim. Gosto do que faço.

Tenho uma tatuagem no pulso. Uma borboleta, que simboliza a liberdade e o voar mais alto. Quando olho para ela lembro-me de que não me posso nunca esquecer de voar.

Ando sempre com as unhas pintadas. Sempre. Mesmo no trabalho, de uma cor muito discreta, claro, mas tem de ter verniz. Se não as tiver pintadas sinto-me nua.

Sou um pouco (muito) obcecada com limpezas e organização. Detesto que mexam nas minhas coisas e que depois não as coloquem no devido lugar. Sim, porque tenho tudo organizado ao pormenor e sei perfeitamente se alguém vai lá mexer.

Uso sempre os mesmos dois perfumes há já alguns anos e não consigo gostar de mais nenhum.

Tenho uma frustração secreta e escondida pelo facto de não ter enveredado pela área das letras. Gostava de me ter licenciado em literatura. Ainda não perdi esse sonho.

Sou de extremos. Quando gosto, gosto mesmo a sério. Mas quando não gosto, não adianta.

Sou muito ponderada. Nem sempre fui assim, já fui impulsiva até dizer chega. Aprendi com os erros. Hoje penso muito bem antes de fazer ou decidir alguma coisa.

Sou péssima a decidir ou a escolher, talvez por ser tão ponderada.

(Continua...)


quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Do medo


Todos temos os nossos medos. Todos. Medos diferentes, uns maiores do que outros, mas todos os temos. Eu tenho os meus medos, apesar de tentar transparecer uma imagem de força e de que está sempre tudo bem. Tenho medo da doença. Medo e um profundo respeito. Tenho medo de ficar doente, de perder as minhas capacidades físicas e mentais, a minha autonomia e ficar presa a uma cama, dependente dos outros. Tenho medo do sofrimento que doença provoca. Tenho medo de não conseguir enfrentar esse sofrimento. Não tenho medo da morte. Quando tiver que vir, a única coisa que peço é que seja rápida e indolor.

Tenho medo da perda. Tenho medo de perder quem mais amo. Tenho medo de perder quem mais amo sem lhes conseguir dizer precisamente isso, o quanto os amo e quanto são importantes e fulcrais na minha vida. Tenho medo de ser só. Não de estar só. De ser só, que é diferente. Tenho medo de chegar aos meus últimos dias e ter mais sonhos do que memórias, seria sinal de que deixei muito por cumprir.

Tirando isto, não tenho assim outros grandes medos. Não tenho medo das desilusões nem dos fracassos pois eles fazem parte da vida e, de uma forma ou de outra, conseguimos ultrapassá-los. Não tenho medo de não conseguir, sei que se não for à primeira há-se ser à segunda ou à terceira ou à quarta. Sei que a vida não são só vitórias, há ainda muitas derrotas à minha espera e, apesar de me fazerem sofrer, sei que também me farão crescer, como fizeram até agora.

Os meus medos, os verdadeiros, são os que referi acima e esses não posso controlar. Quanto aos outros, vou relativizando e ultrapassando, não deixando que eles condicionem o meu viver


Quero!

Nike Sportswear Women’s City Collection

Eu que até nem gosto assim muito de ténis, fiquei completamente apaixonada por estes.
Gostam? Eu não me importava nada de ter uns destes!


quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Fibro...quê?


Fibromialgia - "Síndroma crónica caracterizada por queixas dolorosas neuromusculares difusas e pela presença de pontos dolorosos em regiões anatomicamente determinadas. Outras manifestações que acompanham também as dores são a fadiga, as perturbações do sono e os distúrbios emocionais."

A minha mãe padece de fibromialgia. Foi diagnosticada há dois anos, se bem que os sintomas há muito que se vinham a manifestar. E, desde então, é uma luta diária contra a dor. A minha mãe tem dores 24 horas por dia. Já aumentou a dosagem de medicação por duas vezes mas não ficará por aqui. Além da dor física, é a pscicológica que mais lhe custa. A minha mãe sempre foi uma mulher activa, sempre fez tudo e mais alguma coisa sem nunca se cansar e sem nunca ficar doente. Ver-se, de repente, sem conseguir fazer as coisas como antes, sem dor, com a força a cem por cento, foi complicado. É complicado. E depois vem a parte da incompreensão. Muito poucos sabem e compreendem o que é viver com fibromialgia. A maioria pensa que é exagero ou preguiça. Inclusivé a classe médica. É verdade, houve um ‘senhor doutor médico’ que disse à minha mãe estas palavras: ‘O que a senhora tem é mimo a mais’. E pronto, quando os próprios profissionais agem desta forma, o que esperar dos comuns mortais, não é?

Eu, que sou filha, que convivo com a minha mãe diariamente, não consigo imaginar o que é viver com dor constante. A minha mãe costuma dizer que é como se tivesse o corpo a ser pefurado com agulhas a toda a hora. Conseguem imaginar?

Por isso, fica aqui o apelo à compreensão. É uma doença recente, é verdade, mas não deve ser menosprezada e desvalorizada. Os doentes com fibromialgia sofrem. Muito. Haja solidariedade. Haja bom senso. E que acabem de vez os comentários maldosos e ignorantes que classificam esta doença como a ‘doença dos preguiçosos’.


Quanto a ti, mãe guerreira, sei que vais continuar a enfrentar esta luta de cabeça erguida e sorriso no rosto, como sempre fizeste. És o meu orgulho, és o meu exemplo.


Estamos no Blogging


Agora também estamos na plataforma Blogging. Para quem ainda não conhece, é uma plataforma que aloja diversos blogues, divididos em categorias (como Lifestyle, DIY&Decor, Actualidade, entre outras). É um site muito interessante pois podemos descobrir outros blogues de forma rápida e com imensa qualidade.

Para aderirem basta enviarem um email e a equipa do Blogging entrará em contacto convosco para vos explicar direitinho o que é necessário fazer. Tudo muito rápido e simples.

Se quiserem fazer parte, é só irem aqui: Blogging.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

A pessoa mais importante da tua vida és tu


A pessoa mais importante da tua vida és tu. Pode parecer presunçoso ou egoísta mas é a verdade. Ou, pelo menos, assim deveria ser. Se não nos colocarmos em primeiro lugar, se não nos amarmos verdadeiramente, independentemente do que os outros pensam ou dizem, não conseguiremos ser felizes por inteiro. Enquanto não nos valorizarmos, enquanto não tomarmos as rédias do nosso querer, não conseguiremos ter paz.

A vida é que me tem ensinado isto. Durante muitos anos andei à deriva, sem saber bem qual o meu espaço, sem saber bem quem era. Muitas vezes me anulei perante os outros, porque não queria arrufos, porque pensava que a minha opinião iria magoar. No fim de tudo, quem saía sempre magoada era eu. Fui aprendendo com as quedas que dei, com o tanto que me fizeram sofrer, com as palavras maldosas e os gestos ingratos. Durante muito tempo dei tudo de mim, de forma desenfreada e exagerada. E fui ficando desgastada, dorida, cansada. Até ao dia em que percebi que eu tinha de me dar mais importância e mais valor. Percebi que tinha de tomar conta de mim, recuperar a minha auto-estima, dar a minha opinião, não me calar perante aquilo que achava injusto. Aprendi a gostar de mim como sou (com as minhas curvas generosas e o meu mau feitio matinal). Aprendi a olhar ao espelho todos os dias e dizer 'És linda! Adoro-te!'. Não, não é narcisismo, é amor-próprio. E, quando aprendemos a ter este amor pela nossa pessoa, amar os outros é tão mais fácil e tão melhor. Da mesma forma que amarem-nos se torna mais genuíno e espontâneo.

Claro que há dias menos bons. Sempre haverá. O segredo está em contorná-los, em não dar ouvidos a quem não importa, a não nos deixarmos subjugar. O segredo é continuarmos a acreditar na pessoa que vamos construindo, dia após dia, batalha após batalha. O segredo, o verdadeiro segredo, está em jamais desistirmos de nós.


segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

90's


Hoje deu-me para a saudade. Saudade da infância. Saudade do quão feliz fui nessa infância.

Cresci nos míticos anos 90. Os melhores, na minha opinião. Assim sendo, posso dizer que ‘ainda sou do tempo’ de uma data de coisas que toda a gente ainda, certamente, se lembra. Comecemos pelos desenhos animados. Quem se lembra das famosas Navegantes da Lua e do Dartacão e até mesmo dos Power Rangers? Quem nunca brincou ao ‘em nome da Lua, vou castigar-te’ ou nunca andou à 'luta de faz de conta' como os Power Rangers, que se acuse. Eu era fã destes desenhos, não perdia um episódio e não me custava nada acordar cedo ao fim-de-semana para os ver. E quem se lembra também da Rua Sésamo e do pássaro gigante Poupas e do Becas e do Egas? ‘Vamos aprender como se vai até à Rua Sésamo!’

Era também o tempo de fazer colecções de Tazos, aqueles discos pequeninos com bonecos que saiam nos pacotes de batatas fritas. Quantas e quantas vezes não as comprava só por causa dos Tazos. E a febre dos tamagotchi? Andava tudo de tamagotchi na mão a alimentar e a brincar com o amiguinho virtual. Era também o tempo do walkman/discman. Ter um era o quivalente a ter um tablet hoje em dia, era muito à frente andar de walkman pendurado nas calças e auscultadores nos ouvidos. E por falar em música, quem não era fã das Spice Girls ou dos bonitinhos (not) Backstreet Boys? Eram os grupos do momento e quem não gostasse era um ovo podre.

Nos anos 90 começaram as primeiras telenovelas brasileiras, claramente impróprias para crianças mas que nós víamos na mesma. Depois ficávamos cheias de medo a pensar no fantasma Alexandre da novela ‘A viagem’. Era também o tempo em que se colocava um rodinha chamada Dot no ecrã da televisão pois dizia-se que dava direito a prémios. A sério que alguém acreditava nisso?

Era o tempo das chiclets Gorila. Adorava as de morango. Uma vez engoli uma e fartei-me de chorar a pensar que ia morrer. Não morri. E continuei a mascar chiclets Gorila como se não houvesse amanhã. Ainda hoje gosto. Era também o tempo dos Yo-Yo, aquela rodinha com um fio preso que subia e descia. Os miúdos de hoje em dia nem devem sequer saber o que é. Mas naquela altura era muito fixe jogar yo-yo. Eu tinha um vermelho e branco (à Benfica, claro!).

Isto para dizer que os anos 90 foram os melhores anos e que a minha infância não poderia ter sido melhor. Era o tempo em que podíamos brincar na rua até escurecer. Não havia telemóveis, quando as nossas mães nos queriam chamar, chamavam assim como que a gritar ‘Catarina Maria se não vens já para casa nem sabes o que te acontece’. E eu não ligava. E nunca me aconteceu nada (graças aos meus avós que me super-protegiam e me estragavam com mimos). Era o tempo em que os Domingos eram para brincar com as primas - brincávamos às 'mães e às filhas', às escolas e até mesmo às procissões (sim, brincávamos às procissões...é deprimente, eu sei!). Era o tempo em que se construíam amizades para a vida, nos recreios da escola enquanto aprendíamos, brincávamos e crescíamos. Era o tempo em que a família se reunia nos dias de festa, não faltava ninguém, os avós eram saudáveis e enérgicos e nós acreditávamos que seria assim para sempre. Da mesma forma que acreditávamos que o ‘ser grande’ demoraria muito, muito tempo a chegar. A verdade é que não demorou e, num piscar de olhos, crescemos e ficou apenas a doce lembrança dessa infância. Que saudades!

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Let's read!


A minha paixão pelos livros começou no dia em que os meus pais me ofereceram o livro da Cinderela, tinha eu 5 anos, ainda mal sabia juntar as letras. Na verdade, foi um incentivo para eu aprender a ler mais depressa. Foi todo um novo mundo que se abriu diante dos meus olhos. E nunca mais parei. Tenho sempre um ou dois livros em cima da mesinha de cabeceira. Quando tal não acontece é como se me faltasse alguma coisa. 



Hoje venho falar-vos de um dos meus livros preferidos de sempre - O Filho de Mil Homens de Valter Hugo Mãe (um dos meus escritores preferidos também). É um livro absolutamente fantástico. Simples, intimista mas que nos faz reflectir imenso. Lembro-me que o li de uma assentada. Mais tarde, reli-o. E gostei ainda mais. É daqueles livros que nos marcam para toda uma vida. Se tiverem oportunidade, não deixem de o ler. Valerá a pena.


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Um questão de escolha


Quando escolhemos um caminho, há outro que, irremediavelmente, tem que ficar para trás, por percorrer. É mesmo assim. Não podemos ter o melhor de duas coisas. Não podemos ter o melhor de dois mundos. Talvez por isso nunca tenha gostado de escolher. Nunca. Desde criança, quando me perguntavam se preferia bolo de chocolate ou bolo de caramelo, se preferia a Barbie ou a Nancy, se escolhia entre a Bela Adormecida ou a Cinderela. Nos testes de avaliação e exames, nunca gostei das questões de escolha múltipla, sempre preferi as de resposta aberta, onde podia dar largas à imaginação (e tantas vezes ver a pontuação descontada por isso, porque escrevia demais, mas isso já são outros quinhentos). Mais tarde, quando me foi imposto escolher entre letras e ciências também não foi fácil. Se eu amava as duas por igual, porque tinha de escolher, perguntava-me eu. Agora, já adulta, continua a ser quase o mesmo. Não gosto de escolher. Não gosto de escolher entre duas coisas que gosto por igual.

Escolher não é fácil. Escolher dói. Exige maturidade. Exige desprendimento e desapego. Principalmente quando essa escolha pode condicionar toda a nossa vida. E se não for a escolha correcta? E se, quando chegarmos lá à frente, percebermos que não deveria ter sido assim? Será possível recuar? Será possível voltar atrás e escolher o outro lado? Não. Não é possível voltar a escolher por cima de uma escolha já feita e definida. Mas é sempre possível mudar o ritmo e as cores do caminho, tornando-o mais alegre e mais nosso. Temos de ter essa capacidade de discernimento para aceitar as consequências das nossas escolhas, sejam elas boas ou nem por isso.


Em modo 'replay'

António Zambujo - Pica do 7

Gosto tanto do António Zambujo. Não me importava nada de o ter cá em casa, todos os dias, a cantar para mim. Não sei se é a voz melodiosa, as músicas fantásticas, o ar charmoso ou o olhar maroto, o certo é que fico sempre embevecida de cada vez que o oiço ou vejo cantar. E este seu último trabalho, 'Rua da Emenda' está fenomenal. Vale muito a pena ouvir.


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A (triste) história de uma míope


Sou míope desde os 14 anos (o auge da estupidez e parvoíce). Quando o oftalmologista me disse ‘Catarina, terás de usar óculos para o resto da tua vida’ foi como se o meu mundo tivesse acabado nesse mesmo instante. Fui para casa e chorei durante três dias seguidos. Mentira, foi só durante meia hora. Mas o sofrimento foi o equivalente. Fiz birra, disse que não usava óculos nem que me amarrassem aos pés da cama. Mas lá acabei por ceder. Verdade seja dita, eu já não via um palminho à minha frente e entre isso ou usar óculos, achei que era melhor usar óculos.

Hoje em dia já não me custa nadinha. A primeira coisa que me vem à cabeça quando acordo é ‘onde estão os meus óculos?’. E nem me atrevo a sair de casa sem eles. Uma vez cometi tal atrocidade e não reconheci o meu próprio pai que estava a maia dúzia de metros de mim a acenar. É triste mas é verdade. Por isso, não me separo dos meus óculos nunca e já não me custa assim tanto ser míope (quer dizer, custa só um bocadinho, principalmente quando vou à piscina, mas pronto). Digamos que me tornei numa ‘caixa de óculos’ assumida...e com estilo!